F553914afaa2e770d63c5ce23750943b

Madrid Travel Guide powered by advice from Real Travelers

 Get Real Deal alerts »

Pelos céus, a caminho do Sul

From Às voltas pela Argentina in Madrid, Spain on Nov 20 '06

rui has visited no places in Madrid
show more map

Aqui comeca a minha aventura sul-americana: com um voo para Madrid que a Iberia me fez o favor de atrasar em 40 min. Tudo bem, acontece. A viagem faz-se num piscar de olhos e, numa hora, estamos em Barajas. Ao chegar, e enquanto admirava a arquitectura do edifício, apercebo-me de que, em Espanha, a hora está adiantada. Faltava pouco, quase nada para o voo intercontinental. A toda a brida, desço escadas e mais escadas e apanho um metro para o terminal. Aí, é subir escadas, alargar o passo, andar mais um grande pedaço e chegar a uma fila. Tudo sob controlo: o voo ia partir com atraso ou (mais uma vez) estava baralhado com as horas.

Tempinho para uma mija e recuperar forças com uma sanduiche feita Ã  pressa em casa, com pao velho e queijo queimado.

Perto de onde estou, um judeu caminha oscilando levemente a cabeça. Deve estar a rezar. Na cabeça tem um enorme lenço e, na testa, um pequeno cubo. Provavelmente, é um rabi a caminho de BA onde existem muitos judeus (mais tarde, no aviao, um rapaz cobria também a cabeça)

A viagem para BA foi cansativa. Calhou-me um dos piores lugares: ao meio mas nao junto ao corredor, e, ainda por cima, na zona das asas. Nao vi nada do mundo durante as longas 12 horas de vôo. Aproveitei para ler o último livro do Joao Aguiar, repetir dois filmes americanos e ver um outro espanhol, acerca dos esforços de uns quantos indivíduos perdidos em três fins-do-mundo para conseguirem ver a final do campeonato do mundo de futebol (Brasil x Alemanha).

A comida na Iberia nao foi nada de especial: ao almoço, comi frango (mal cozinhado). Nao deixava de ser irónico andar a tomar vacinas contra as doenças tropicais e, no fim, apanhar qualquer coisa por causa de comida mal feita na Europa... Uma hora e tal antes de chegar a BA, deram uma outra refeiçao (ligeira). As sobremesas eram saborosas, é o melhor que se pode dizer.

Chegado ao aeroporto de BA, noto logo a diferença no acolhimento. Ao contrário dos indivíduos mal-encarados em Espanha, a funcionária que verificou o meu passaporte era sorridente e simpática. Bom augúrio?

Ainda no aeroporto, distribuem-nos avisos para nao apanhar táxis particulares. Na rua, os motoristas oferecem os seus serviços. Existem quiosques pertencentes a companhias de táxis mas tento procurar o autocarro para a capital. Nao o encontro. Convencido de que aqui tudo é barato, resolvo, pela primeira vez na vida, apanhar um táxi. Um motorista oferece-se. O carro nao está junto ao quiosque e fico desconfiado. Quando ele chega, a pintira do carro é igual à dos outros. Como nenhum colega barafusta, parto do princípio de que é legal.

O carro é velho mas o motorista é simpático. Tenta fazer conversa e vamos trocando curtas frases, sem qualquer dificuldade. O indivíduo vai metendo palavras em Português. A situaçao faz-me lembrar alguns filmes: um carro velho, a toda a velocidade na auto-estrada, o motorista cumprimentando alguns carros com que se cruza, os santos pendurados do retrovisor...

Passamos por algumas três portagens de auto-estrada e, ao fim de algum tempo, sempre em frente, sempre a abrir, chegamos ao centro de BA. O motorista explica-me que estou na mais larga avenida do mundo. A coisa é, mesmo Ã  noite, impressionante.

Procuramos o número onde vou ficar. O motorista sai para confirmar, diz que é ali, tira-me a mochila da mala, e anuncia-me o preço: 98 pesos. Faço as contas de cabeça e chego Ã  conclusao de que estou a pagar quase 35 euros pela corrida. Em Lisboa, isto talvez fosse um preço normal por um serviço do tipo (o aeroporto é distante da cidade) mas, aqui... Ainda assim, e apesar dos avisos da Lonely Planet, passo ao homem uma nota de 100 pesos. Ele devolve-me uma de 2 pesos, dizendo-me que eu me tinha enganado. Estranho?! Se eu só tinha uma nota de 100 e duas de 50, como poderia ter-lhe dado uma de 2? Confirmo a carteira e nao encontro a nota de 100. Estou a ser (novamente) roubado. Faço finca-pé de ter-lhe dado ARS 100 e, sem qualquer briga, o motorista "acha" a nota caída no chao. Fico com o que é meu e com duas notas de 2 pesos. A corrida ficou em ARS 96.

Durante este tempo, a minha mochila esteve abandonada na rua, sem que eu me lembrasse minimamente dela. Valeu-me o porteiro do prédio que tomou conta das minhas coisas e que me afiançou que houve logo vários tipos a prepararem-se para as roubar. O facto de ter sido enganado no preço da corrida (conforme me confirmou depois o recepcionista), terem-me tentado roubar 100 pesos e quase ter ficado sem as minhas coisas, deixou-me enervado. A perspectiva teria sido bastante desagradável, quanto mais nao fosse por ficar sem os cabos para a máquina fotográfica. Tudo o mais se arranjaria...

Na recepçao, novamente, arranham (aqui, quase falam) o Português. Devido ao que me aconteceu, nao exigem que pague logo a estadia. Melhor assim.

Partilho o quarto com duas americanas, do tipo "preta gorda". Sao simpáticas. Contam-me que também as tentaram enganar no México. Trocamos banalidades entre turistas.

Tempo de enviar uma mensagem para casa. Após bastante tempo à espera que um tipo faça upload de um milhao de fotos, tento enviar um SMS para a família. O capslock estava ligado e gasto as tentativas de login. Uso a conta de netmóvel da Vodafone para enviar um SMS. Há sempre uma alternativas :)

Preparo umas coisas e deito-me. O jet lag nota-se (-5 horas) e custa-me a adormecer. Mais estranho é acordar às 4 da manha. Na rua, há sempre muito movimento de automóveis e autocarros...

Passou-se assim o primeiro dia das minhas férias.


Would you like to comment or ask a question?

Sign up for a free account, or sign in (if you're already a member).

Where have you been lately?

Share your travels with friends & family

Free travel blog
Sign up for a free travel blog